Sete municípios goianos, incluindo Goiânia, aparecem em ranking nacional que aponta risco de morte a menores. Luziânia é a cidade pior colocada no Estado e está na 15ª posição entre 267 municípios pesquisados em todo o BrasilO número de adolescentes vítimas de homicídios em Goiás pode chegar a 761 até 2012, segundo previsão do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Levantamento faz parte de pesquisa nacional com os 267 municípios brasileiros com mais de cem mil habitantes. No Brasil, as mortes de jovens entre 12 e 18 anos podem chegar a 33 mil. A informação se baseia em dados coletados desde 2006, em um universo de adolescentes de 12 anos, e projetados para seis anos, data em que atingiriam a maioridade. A pesquisa foi apresentada ontem pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (Sedh), órgão ligado à Presidência da República. O estudo se baseia no cálculo do Índice de Homicídios de Adolescentes (IHA), que calcula o número de mortes em universos de mil jovens na idade inicial (12 anos). A partir dos resultados, é possível prever quantos jovens morrerão antes de atingir os 19 anos. Sete municípios goianos, incluindo a Capital, foram incluídos na amostragem. Destes, Luziânia, no Entorno de Brasília, ocupou a 15ª posição no ranking nacional, com IHA de 5,41 adolescentes mortos antes dos 19 anos para cada grupo de 1.000 adolescentes de 12 anos. Goiânia ficou em 143° lugar, com 1,51. O município considerado mais violento para adolescentes no Brasil foi Foz do Iguaçu, no Paraná, com IHA 9,74. No ranking das capitais, Goiânia ocupa a 22ª posição. Maceió encabeça a lista com IHA igual a seis, seguida por Recife, em Pernambuco. O Rio ocupa o 3º lugar entre as capitais e o 21° entre as 267 cidades.
Para negros, risco é maior em Rio Verde
Além de apresentar os riscos que os adolescentes correm, a pesquisa também analisou as chances de cada etnia em ser vítima de homicídio. Para jovens negros (pretos e pardos), o risco de ser assassinado é 2,6 vezes maior em comparação aos brancos. Alguns municípios, entretanto, apresentaram valores extremos. É o caso de Rio Verde, onde a possibilidade de um negro ser vítima de homicídio é 40 vezes maior que a de um branco.
O trabalho também demonstra que a probabilidade de ser assassinado é quase 12 vezes maior quando o adolescente é do sexo masculino. Em apenas nove municípios o risco das mulheres foi maior do que o dos homens. Em 144 cidades não houve registro de menores do sexo feminino mortas. Estima-se que crimes de morte sejam responsáveis por 46% das mortes de jovens em todo o País, seguidos por causas naturais (26%) e acidentes de trânsito (22%). “O jovem é mais impulsivo e se expõe mais à violência”, afirma a titular da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA), Adriana Accorsi. Outro agravante apontado é a fragilidade das leis que não punem homicídios como deveriam.
“Matam como se mata uma formiga”, diz mãe de menor
A família de Alexandre Araújo Coelho é uma das milhares no Brasil que perderam parentes de maneira precoce vítimas de assassinatos. A dona de casa Maria Conceição de Araújo, 48, e o vigilante Carlos Antônio Coelho, 45, não tiveram a oportunidade de ver o filho completar a maioridade. O caçula da família morreu aos 17 anos, após ser atingindo por três tiros, no coração, braço e o pescoço. Segundo Carlos, a discussão, que começou na rua, causou a morte do filho dias depois. O crime aconteceu em 2006. O adolescente estava na casa de um amigo no bairro onde morava, no Parque Atheneu, região sudeste de Goiânia, quando dois rapazes em uma moto chegaram, abriram o portão da residência e efetuaram os disparos. Segundo o vigilante, o motorista da moto era um menor de idade e o indivíduo com quem Alexandre havia discutido. Para o pai do jovem, o sentimento que fica é de impunidade. “A lei do desarmamento não resolveu nada. Hoje, os adolescentes resolvem as coisas à prova de bala.” Maria Conceição clama por Justiça e afirma que a rotina da família deixou de ser a mesma desde a morte do filho. “Éramos uma família feliz. Meu filho tinha planos para se casar. Mas agora, só queria que o assassino estivesse preso. Neste mundo matam-se como se estivessem matando formiga”, desabafa.
Meninas são encontradas em pedreira
Há uma semana, duas adolescentes foram encontradas mortas em área conhecida como Cascalheira, no Setor Cândido de Queiroz, em Aparecida de Goiânia. Stephanie Rodrigues Nunes, 13, e Vanessa Ribeiro de Souza, 14, morreram por causa de dívidas do irmão de uma delas com os traficantes. Dois dias depois, os autores, Keliton Júnior Rodrigues, 19, Diego Pires Maciel, 21, Thiago Bastos de Souza, 24, e uma menor de 17 anos foram presos.
Para negros, risco é maior em Rio Verde
Além de apresentar os riscos que os adolescentes correm, a pesquisa também analisou as chances de cada etnia em ser vítima de homicídio. Para jovens negros (pretos e pardos), o risco de ser assassinado é 2,6 vezes maior em comparação aos brancos. Alguns municípios, entretanto, apresentaram valores extremos. É o caso de Rio Verde, onde a possibilidade de um negro ser vítima de homicídio é 40 vezes maior que a de um branco.
O trabalho também demonstra que a probabilidade de ser assassinado é quase 12 vezes maior quando o adolescente é do sexo masculino. Em apenas nove municípios o risco das mulheres foi maior do que o dos homens. Em 144 cidades não houve registro de menores do sexo feminino mortas. Estima-se que crimes de morte sejam responsáveis por 46% das mortes de jovens em todo o País, seguidos por causas naturais (26%) e acidentes de trânsito (22%). “O jovem é mais impulsivo e se expõe mais à violência”, afirma a titular da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA), Adriana Accorsi. Outro agravante apontado é a fragilidade das leis que não punem homicídios como deveriam.
“Matam como se mata uma formiga”, diz mãe de menor
A família de Alexandre Araújo Coelho é uma das milhares no Brasil que perderam parentes de maneira precoce vítimas de assassinatos. A dona de casa Maria Conceição de Araújo, 48, e o vigilante Carlos Antônio Coelho, 45, não tiveram a oportunidade de ver o filho completar a maioridade. O caçula da família morreu aos 17 anos, após ser atingindo por três tiros, no coração, braço e o pescoço. Segundo Carlos, a discussão, que começou na rua, causou a morte do filho dias depois. O crime aconteceu em 2006. O adolescente estava na casa de um amigo no bairro onde morava, no Parque Atheneu, região sudeste de Goiânia, quando dois rapazes em uma moto chegaram, abriram o portão da residência e efetuaram os disparos. Segundo o vigilante, o motorista da moto era um menor de idade e o indivíduo com quem Alexandre havia discutido. Para o pai do jovem, o sentimento que fica é de impunidade. “A lei do desarmamento não resolveu nada. Hoje, os adolescentes resolvem as coisas à prova de bala.” Maria Conceição clama por Justiça e afirma que a rotina da família deixou de ser a mesma desde a morte do filho. “Éramos uma família feliz. Meu filho tinha planos para se casar. Mas agora, só queria que o assassino estivesse preso. Neste mundo matam-se como se estivessem matando formiga”, desabafa.
Meninas são encontradas em pedreira
Há uma semana, duas adolescentes foram encontradas mortas em área conhecida como Cascalheira, no Setor Cândido de Queiroz, em Aparecida de Goiânia. Stephanie Rodrigues Nunes, 13, e Vanessa Ribeiro de Souza, 14, morreram por causa de dívidas do irmão de uma delas com os traficantes. Dois dias depois, os autores, Keliton Júnior Rodrigues, 19, Diego Pires Maciel, 21, Thiago Bastos de Souza, 24, e uma menor de 17 anos foram presos.
Um dia antes das mortes das jovens em Aparecida de Goiânia, um adolescente de 13 anos morreu, em Trindade, ao ser baleado no peito. Sávio Peres da Silva, 13, morreu por causa de uma briga de torcidas do Goiás e Vila Nova. O autor, Diego Antônio Martins de Queiroz, 20, confessou o crime e afirmou que a vítima não era o alvo. Se, por um lado, o jovem é vítima da violência, por outro, também é agressor. A titular da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai), Nadir Cordeiro, lembra que os adolescentes entram cada vez mais cedo no crime, o que contribui para uma vida curta. A iniciação no crime tende a começar no início da adolescência. “Se o menor não foi morto antes de completar a maioridade, morre pouco tempo depois”, conta a delegada.
São Paulo é surpresa
A lista das capitais mais violentas para os adolescentes, de acordo com a pesquisa divulgada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, reserva uma surpresa: a capital paulista é a quarta menos violenta, com uma taxa de 1,42 mortes para cada mil jovens de 12 anos a 18 anos. Dentre os 267 municípios com mais de 100 mil habitantes, São Paulo aparece na 151ª posição (Goiânia está na 143ª posição). “São Paulo tem índices relativamente baixos, fruto na queda de homicídios que vem ocorrendo no Estado desde 2001. Não há nenhum município paulista com índice acima de três, o que é uma situação positiva comparada com outros Estados”, afirma Ignácio Cano, autor do estudo Índice de Homicídios na Adolescência. A primeira cidade paulista a aparecer na lista é Guarujá (litoral sul do Estado), na 62ª posição, com 2,92 por mil. Dentre as 20 cidades mais violentas, aparecem apenas duas capitais, Maceió e Recife. O Rio de Janeiro aparece em seguida, em 21º, com taxa de 4,92 mortes para cada mil jovens. (AE)
Dezenove cidades possuem índice zero de homicídio
Enquanto as principais cidades brasileiras estudadas pela pesquisa do Unicef apresentam altas taxas de homicídios, há aquelas em que os crimes de morte contra adolescentes chegaram a zero. 19 cidades não registraram nenhum homicídio de jovens. Destas, nove estão no interior de São Paulo, três em Minas Gerais, e o restante no Maranhão, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nenhum município goiano entrou para esta lista.
São Paulo é surpresa
A lista das capitais mais violentas para os adolescentes, de acordo com a pesquisa divulgada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, reserva uma surpresa: a capital paulista é a quarta menos violenta, com uma taxa de 1,42 mortes para cada mil jovens de 12 anos a 18 anos. Dentre os 267 municípios com mais de 100 mil habitantes, São Paulo aparece na 151ª posição (Goiânia está na 143ª posição). “São Paulo tem índices relativamente baixos, fruto na queda de homicídios que vem ocorrendo no Estado desde 2001. Não há nenhum município paulista com índice acima de três, o que é uma situação positiva comparada com outros Estados”, afirma Ignácio Cano, autor do estudo Índice de Homicídios na Adolescência. A primeira cidade paulista a aparecer na lista é Guarujá (litoral sul do Estado), na 62ª posição, com 2,92 por mil. Dentre as 20 cidades mais violentas, aparecem apenas duas capitais, Maceió e Recife. O Rio de Janeiro aparece em seguida, em 21º, com taxa de 4,92 mortes para cada mil jovens. (AE)
Dezenove cidades possuem índice zero de homicídio
Enquanto as principais cidades brasileiras estudadas pela pesquisa do Unicef apresentam altas taxas de homicídios, há aquelas em que os crimes de morte contra adolescentes chegaram a zero. 19 cidades não registraram nenhum homicídio de jovens. Destas, nove estão no interior de São Paulo, três em Minas Gerais, e o restante no Maranhão, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nenhum município goiano entrou para esta lista.
Fonte: Diário da Manhã



